Artigos 3i

Este é o texto do parágrafo. Clique nele ou acesse Manage Text (Gerenciar texto) Button para alterar a fonte, a cor, o tamanho, o formato e muito mais. Para configurar estilos de parágrafos e títulos em todo o site, acesse Tema do site.

Bem-vindo ao espaço onde criatividade e conhecimento se encontram. Aqui você encontra artigos que exploram diferentes universos — da arte digital às tendências culturais, passando por curiosidades, política, tecnologia, entretenimento e muito mais. Estou absolutamente aberto a publicar o seu artigo, seja ele de qualquer viés. Nosso objetivo é oferecer conteúdos que informem, inspirem e despertem novas perspectivas.

Só faço restrições ao linguajar de baixo calão e incitações ao ódio ou preconceitos.

Peço um texto de aproximadamente 3.000 caracteres.
D

A cada leitura, você terá acesso a reflexões envolventes, ideias inovadoras e links interessantes que ampliam seu olhar sobre o mundo. Prepare-se para uma jornada de descobertas, onde informação e imaginação caminham lado a lado.

O CÃO E O BURRO


Por Marcelo d´Avila Magalhães


Eu tinha aproximadamente 18 anos e isso remonta aos anos 80 quando um amigo de Superquadra, o Zé, ganhou um cachorro da raça Doberman e juntos comemoramos, até aí tudo bem. Eu me encantava com as brincadeiras do cachorro enquanto era um filhote cheio de alegria, e até aí tudo bem. O filhote foi tomando corpo e se tornou um belo, jovem e forte cão mas ainda um brincalhão e ... até aí tudo bem também.


Com o passar dos meses fui aprender uma lição com aquele cachorro e seu dono, que não vejo faz mais de 40 anos.


Um belo dia eu o encontrei na quadra com o cachorro sem coleira, isso mesmo, sem coleira e neste momento percebi que o Zé era bem diferente de mim.


Medindo cada palavra resolvi questioná-lo quanto à insanidade em passear com o Dóberman, sem coleira, no meio da quadra. Daí constatei que meu amigo era, realmente, diferente de mim. Desnecessário dizer que fui rechaçado.


Dias depois encontrei meu amigo que me disse ter encontrado a “solução” para a situação que lhe coloquei; ele passou a passear com aquele monstro por volta das 06:00 da manhã, alegando que naquele horário ninguém circulava na quadra (exatamente no meio da quadra). Tentei novamente encontrar a melhor forma e lancei a pergunta: “Zé, será que neste horário não tem ninguém passando porque o seu cachorro está solto ou porque não passa ninguém mesmo neste horário? Obviamente vocês já sabem a resposta...

Dias depois um Pai, visivelmente raivoso, e seu filho com sangue na perna batem na porta de casa e o Senhor, aflito, disse ter sido informado que eu era amigo do “Zé” e exigiu que eu lhe desse o endereço dele.


Como eu temia a reação daquele senhor e ele realmente estava no seu direito, eu lhe passei toda ficha.


Inacreditável mesmo foi ouvir o meu amigo, dias depois, reclamar veementemente da cobrança de satisfação feita por aquele Senhor ao bater em sua casa. Ele achou um absurdo esta invasão de privacidade e mais absurdo ainda do seu Pai ter que pagar as despesas com o tratamento do menino.


Dias depois, finalmente, o cão estava com coleira e o outro irracional, no caso o Zé, foi contido.


Qual foi a lição aprendida? Nunca subestime o quanto alguém é capaz de ser um burro cuidando do cachorro.


Direitos, Freios e Participação: Uma Agenda Progressista para a Democracia


Por Adriano Alberto


Democracia não é apenas o ato de votar; é um conjunto de regras e garantias que permite que a maioria governe sem esmagar minorias, e que dá ao cidadão instrumentos para fiscalizar o poder entre uma eleição e outra. Do ponto de vista da esquerda, essa definição fica incompleta se a democracia não entregar também dignidade concreta: comida, saúde, escola, moradia, trabalho e segurança jurídica. Sem essas bases, a liberdade vira privilégio de quem já tem renda, tempo e influência; e a “igualdade perante a lei” vira frase bonita para um país que continua separado por barreiras invisíveis.


No Brasil o Partido dos Trabalhadores costuma ser lembrado por ter ligado democracia a inclusão social e redução de desigualdades. Em diferentes governos e gestões, o PT ajudou a consolidar a ideia de que o Estado deve garantir um piso de proteção social, para que a cidadania seja exercida de verdade. A expansão de programas de transferência de renda, a valorização do salário mínimo em vários períodos, o investimento em universidades e institutos federais e a aposta em mecanismos de participação social (conselhos, conferências, diálogo federativo) apontaram para um projeto em que direitos sociais não são caridade: são condição para a liberdade. Ao fortalecer o consumo popular, ampliar oportunidades educacionais e reconhecer a diversidade do país, o PT também contribuiu para que mais brasileiros se vissem como sujeitos políticos, capazes de reivindicar e de cobrar.


Há também uma dimensão pedagógica: políticas redistributivas e serviços públicos melhoram a vida, mas também ampliam a confiança nas instituições. Quando o Estado chega com SUS funcionando, escola de tempo integral, assistência social e crédito orientado, a política deixa de ser espetáculo distante e vira experiência cotidiana. Essa é a base para exigir mais participação e mais qualidade, não menos democracia. Para todos.


Exaltar um partido, porém, não pode significar blindá-lo de crítica. Democracia se protege com transparência, controle externo, imprensa livre, Judiciário independente e punição de corrupção, independentemente do lado político. Quando a política vira torcida, abre-se espaço para autoritarismo travestido de “ordem” ou de “salvação”. Por isso, uma agenda progressista consistente precisa combinar direitos sociais com responsabilidade institucional: orçamento claro, metas públicas, avaliação de políticas e respeito a freios e contrapesos. Se a democracia liberal é criticada por ser insuficiente, a resposta não deve ser enfraquecer eleições, e sim aprofundar a democracia: reduzir desigualdades que distorcem a voz do povo, proteger liberdades civis e ampliar participação com método. Nesse sentido, o legado mais defensável do PT é lembrar que democracia não é ritual: é compromisso diário com direitos, com inclusão e com a ideia simples de que ninguém deve ser descartado.

A DEMOCRACIA LIBERAL


Por: Marcelo d´Avila Magalhães


O dia foi 21 de julho de 2025, em Santiago, no Chile, onde ocorreu a Reunião de Alto Nível Democracia Sempre, organizada pelo presidente do Chile, Gabriel Boric. Após a tal reunião, Lula usou o palanque para discursar e disse, entre outras afirmações, que “A Democracia Liberal não foi capaz de responder aos anseios e necessidades contemporâneas. Cumprir o ritual eleitoral a cada 4 ou 5 anos não é mais suficiente.”


O partido político do nosso presidente teve um desempenho aquém do esperado nas últimas eleições para prefeitos e vereadores em 2024. E se o PT tivesse se saído bem? Estaríamos lendo este texto?


Então esta Democracia, a Liberal, não foi capaz de responder aos anseios e necessidades? Anseios e necessidades de quem? De uma elite política? De um grupo econômico? Do pobre e coitado povo brasileiro?


Hoje, em nome da Democracia, qualquer que seja esta, da ordem, da paz, ou seja, em nome do que quer que seja, os indivíduos são perseguidos por “crimes” de opinião, tudo depende da força que o grupo hegemônico possui e em última instância, ao que necessita a população.


Curioso, fui pesquisar quais seriam as outras Democracias além da Liberal e encontrei a Democracia Direta, que é aquela exercida diretamente pelo povo por meio de consultas ou plebiscitos; Democracia Representativa, que é a mais comum e a adotada no Brasil e, finalmente, a Democracia Direta/Representativa, que segue estes dois princípios. Mas qual destas Democracias é a Liberal?


Em consulta ao que afirma John Locke sobre a Democracia Liberal, o poder político deve ter freios jurídicos e respeitar o contrato social, já Friedrich Hayek afirma que a vontade da maioria não pode suprimir direitos individuais — daí a importância de limites constitucionais e judiciais. Hayek, no livro “O Caminho da Servidão”, Capítulo 5,  diz que uma democracia funcional e duradoura é aquela que limita o poder estatal, permitindo que, em outras esferas, os indivíduos desfrutem da liberdade de escolha e assumam os riscos inerentes a essa liberdade.


Então esta Democracia, a Liberal, que pressuponho envolver eleições competitivas e pluripartidárias, Estado de Direito, respeito a direitos individuais e civis e freios e contrapesos entre os poderes, não foi capaz de responder aos anseios e necessidades... Anseios e necessidades de quem? Qual seria o conceito exato de Democracia Liberal do nosso Presidente Lula? Seria aquela na qual elegemos representantes? Ou aquela na qual existe um único partido? Ou talvez seja uma Democracia pela qual somente um grupo político e econômico prevaleça? Estas perguntas devem ser respondidas em seus mínimos detalhes pois que o nosso Presidente, eleito, afirmou que o ritual das eleições não mais atende “às necessidades”.


Deixar no ar definições e conceitos sobre Democracia dá liberdade excessiva a quem detém o poder e esta perspectiva é perigosa. Será que o nosso democrático presidente está propenso a implantar a Democracia Popular preconizada por Marx? A mesma de Cuba, Coreia do Norte e China? Nesta modalidade o partido é único, não há liberdade civil, a censura é explícita e a política governamental determina a política econômica.


Sendo assim, convido você a identificar todas as características da Democracia Liberal pois esta indefinição pode, perfeitamente, eliminar o ritual das eleições e afetar diretamente a sua vida.